30.12.15

Sapiens: Uma breve história da humanidade

“Três importantes revoluções definiram o curso da história. A Revolução Cognitiva deu início à história [humana], há cerca de 70 mil anos. A Revolução Agrícola a acelerou, por volta de 12 mil anos atrás. A Revolução Científica, que começou há apenas 500 anos, pode muito bem colocar um fim à história e dar início a algo completamente diferente. Este livro conta como essas três revoluções afetaram os seres humanos e os demais organismos.” p.11

Segundo o autor a 06 milhões de anos atrás viveu na terra o “último ancestral em comum de humanos e chimpanzé”, a partir dai as formas que se originaram após a formação da terra por volta de 4,5 bilhões de anos foram se desenvolvendo e se diversificando até se originar as várias espécie de animais, entre eles o homem moderno (importante salientar que o processo evolutivo que originou uma diversidade enorme de animais,  foi lento e gradual, que levou milhões de anos, e não algo instantâneo como muitos imaginam quando se fala em ancestral em comum de humanos e chimpanzés). A 200 mil anos o homo sapiens surge na África Oriental, a 100 mil anos havia pelo menos 06 espécie diferentes de humanos na terra, entre eles estava o Neandertal que surgiu a 500 mil anos atrás. O que diferencia a espécie homo sapiens das demais é sua capacidade cognitiva (capacidade de conhecer), a Revolução Cognitiva ocorreu por volta de 70 mil anos, quando surgiu a “linguagem ficcional” e os sapiens se espalharam a partir da África. Por volta de 13 mil anos o homo sapiens passa a ser a única espécie de humanos sobrevivente na terra. O que será que ocorreu com as demais espécies?

Por volta de 12 mil anos ocorreu a Revolução Agrícola com a domesticação de plantas e animais. Essa revolução possibilitou o surgimento dos primeiros reinos, sistemas de escrita, dinheiro e religião politeístas a 5 mil anos. E só a 200 anos ocorreu a Revolução Industrial, onde a família e comunidade tradicionais são substituídas por Estados e mercados. Extinção em massa de plantas e animais, e a possibilidade do fim da humanidade com as armas nucleares, atualmente é a época da modificação de seres vivos geneticamente e da clonagem genética de plantas e animais.

“A coisa mais importante a saber acerca dos humanos pré-histórico é que eles eram animais insignificantes, cujo o impacto sobre o ambiente não era maior que o de gorilas, vaga-lumes ou águas-vivas”. p.12 A mudança veio com a Revolução Cognitiva “O período de 70 mil anos atrás a 30 mil anos atrás testemunhou a invenção de barcos, lâmpadas a óleo, arcos e flecha e agulhas. (...) assim como os primeiros indícios incontestáveis de religiões, comércio e estratificação social.” p.29

O surgimento da comunicação possibilitou a cooperação entre indivíduos desconhecidos de forma mais sólida e sofisticadas. Membros que compartilhavam as mesmas crenças tinham a tendência natural para cooperar entre si do que estranhos. Esta característica singular do homo sapiens de falar sobre ficção é o que nos diferencia dos demais animais. “Lendas, mitos, deuses e religiões aparecem pela primeira vez com a Revolução Cognitiva.” p.32-33

Na atualidade a sociedade humana é composta por várias realidades imaginadas como a ideia de Estado, Sistema Jurídico, Direitos Humanos, Empresas de responsabilidades limitadas, religiões e existência de dinheiro. Todo um conjunto de crenças comuns a milhões de pessoas é o que permite a existência das sociedades modernas, por exemplo, a crença na existência de nação possibilita que um indivíduo se sinta integrado e que até arisque a vida para defender essa nação a qual ele tem a noção que faz parte, ou crenças religiosos como não roubar ou matar. Crenças comuns permitem a cooperação coletiva em prol da defesa de uma sociedade que partilha os mesmos valores. “Ao contrário da mentira, uma realidade imaginada é algo em que todo mundo acredita e, enquanto essa crença partilhada persiste, a realidade imaginada exerce influência no mundo.” p.40

A parte dois do livro trata da Revolução Agrícola, após milhares de anos vivendo como caçador-coletor a aproximadamente 10 mil anos os sapiens se fixaram no interior montanhoso do sudeste da atual Turquia “começou devagar em uma área geográfica restrita. Trigo e bodes foram domesticados por volta de 9000 a.c.; ervilha e lentilhas, em torno de 8000 a.c.; oliveira, cerca de 5000 a.c.; cavalos, por volta de 4000 a.c.; e videiras, em 3500 a.c. Alguns animais e sementes, como camelos e castanhas-de-caju, foram domesticados ainda mais tarde, mas em 3500 a.c. a principal onda de domesticação havia chegado ao fim.” p.87

Apesar do senso comum ver como positiva a Revolução Agrícola, já que diminuiu os riscos comuns de uma espécie nômade e proporcionou o aumento de alimentos, Yuval Harari a considera uma “armadilha” ou “a maior fraude da história”, tendo em vista que “Em vez prenunciar uma nova era de vida tranqüila, a Revolução Agrícola proporcionou aos agricultores uma vida em geral mais difícil e menos gratificante que a dos caçadores-coletores. Estes passavam o tempo com atividades mais variadas e estimulantes e estavam menos expostos à ameaça de fome e doença. A Revolução Agrícola certamente aumentou o total de alimentos à disposição da humanidade, mas os alimentos extra não se traduziam em uma dieta melhor ou mais lazer. Em vez disso, se traduziu em explosões populacionais e elites favorecidas. Em média, um agricultor trabalhava mais que um caçador-coletor e obtinha em troca uma dieta pior.” p.89-90

Antes da Revolução Agrícola os agrupamentos humanos não passavam de bandos pequenos, com ela surgiram aldeias maiores e posteriormente as primeiras cidades controladas por reinos e redes de comércio. “Em toda parte, brotaram governantes e elites, vivendo do excedente dos camponeses e deixando-os com o mínimo para a subsistência. Esses excedentes de alimento confiscados alimentaram a política, a guerra, a arte e a filosofia. Construíram palácios, fortes, monumentos e templos. Até o fim da era moderna, mais de 90% dos humanos eram camponeses que se levantavam toda manhã para trabalhar a terra com o suor da fronte. Os excedentes que produziam alimentavam a ínfima minoria das elites – reis, oficiais do governo, soldados, padres, artistas e pensadores-, que enche os livros de história.” p.110-111

“Por volta de 2250 a.c., Sargão, o grande, construiu o primeiro império, o Acadiano. Ostentava mais de um milhão de súditos e um exército permanente de 5,4 mil soldados” p.112
Como a humanidade passou de pequenos bandos de caçadores-coletores nômade com agrupamentos humanos não superiores a 150 pessoas a grandes cidades e impérios? 
O autor fala da importância dos mitos e desenvolve o raciocínio sobre o papel das “ordens imaginadas” para o desenvolvimento humano “Todas essas redes de cooperação das cidades da antiga Mesopotâmia aos impérios Quin (China 221 a.c.) e Romano forma ‘ordens imaginadas’.” As normas sociais que as sustentam não se baseavam em instintos arraigados nem em relações pessoais, e sim na crença em mitos partilhados.” p.113 “Como você faz as pessoas acreditarem em uma ordem imaginada como o cristianismo, a democracia ou o capitalismo? Primeiro, você nunca admite que a ordem é imaginada. (...) As pessoas são diferentes não porque Hamurabi disse isso, mas porque Enlil e Marduk (Deuses da Mesopotâmia) decretaram isso. As pessoas são iguais não porque Thomas Jefferson disse isso, mas porque Deus as criou dessa maneira.” p.121 “Daí decorre que para mudar uma ordem imaginada existente precisamos primeiro acreditar em uma ordem imaginada alternativa.” p.126

A parte três do livro disserta sobre a cultura humana formada a partir do primeiro milênio a. c., com o surgimento de três ordens universais que de certa forma unificaram a humanidade: “A primeira ordem universal a surgir foi econômica; a ordem monetária. A segunda ordem universal foi política: a ordem imperial. A terceira ordem universal foi religiosa: a ordem das religiões universais como o budismo, o cristianismo e o islamismo.” p. 180

A última parte do livro é a parte quatro, que disserta sobre a Revolução Cientifica com seus benefícios e males para a humanidade. E as possíveis implicações que a tecnologia poderá proporcionar em um futuro próximo. Como o “Projeto Gilgamesh”, onde a engenharia genética e nanotecnologia serão capaz de tornar o homem “amortal”, (não imortais, porque ainda poderiam morrer em decorrência de algum acidente, mas amortais, o que significa que, na ausência de um trauma fatal, suas vidas poderiam ser indefinidamente extendidas. p.280).

A Revolução Cientifica começou a 500 anos, com as grandes navegações e o descobrimento da América, passando pelo invento do primeiro motor a vapor, ferrovias, e a industrialização. O homem foi a lua e dividiu o átomo, criou a bomba atômica e pela primeira vez na história, em um espaço relativamente curto, tem a capacidade de criar alimentos, animais e quem sabe no futuro seres humanos, modificado geneticamente.

Sem falar das pesquisas na área da engenharia biônica, a engenharia cyborg que “combina partes orgânicas e inorgânicas”, que desenvolve pesquisa com animais e seres humanos e que pode no futuro criar seres totalmente diferentes dos que a seleção natural produz.  Por enquanto a maior preocupação da humanidade é com o esgotamento dos recursos naturais e com as alterações que a ação humana causa ao meio ambiente.

“A cultura atual, entretanto, tem mostrado muito mais disposição para abraçar a ignorância do que qualquer cultura anterior” p.264

Fonte: HARARI, Yuval Noah. Sapiens-Uma breve história da humanidade. 7ed. Porto Alegre, RS: L&PM, 2015.                                                                                 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe sua opinião, crítica ou sugestão, e ajude-nos a melhorar o Blog Ametista de Clio!